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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Conferencia de Berlim



Fonte: Historiação
 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Morreu Nelson Mandela (1918-2013): a liberdade como obra


O primeiro Presidente negro da África do Sul morreu nesta quinta-feira, anunciou Jacob Zuma, Presidente sul-africano. O líder da luta anti-apartheid tinha 95 anos.

Nelson Mandela foi um homem de gestos. Como este: apenas aceitou sair da prisão quando recebeu garantias de que todos os outros prisioneiros políticos seriam libertados como ele. O advogado e activista acreditou na luta pela libertação de todo um povo. Depois de 27 anos preso, foi eleito o primeiro Presidente negro na África do Sul. O seu legado vai muito além do seu país e do tempo em que viveu. Morreu nesta quinta-feira, com 95 anos, na sua casa em Joanesburgo.
Quando anunciou que deixava a política, Nelson Mandela fê-lo com a mesma naturalidade com que dizia: “Toda a gente morre.” Escolheu deixar a presidência da África do Sul no fim do primeiro mandato dois anos depois de decidir abandonar a liderança do Congresso Nacional Africano (ANC), que transformou num farol da luta de libertação do seu país. Na sombra, manteve uma actividade pública, por vezes próxima da política. Estávamos em 1999.
Cinco anos depois, com 86 anos, anunciou brincando que ia “reformar-se da reforma”. Era a sua maneira de dizer que desta vez era mesmo de verdade. “Não me telefonem, eu telefono-vos”, disse na altura num encontro com jornalistas. “Não lhe telefonámos”, escreveu o jornalista Ido Lekota em 2010 no jornal The Sowetan, “mas a sua figura ‘maior do que a vida’ continua a pairar sobre a nossa democracia e o panorama político [da África do Sul].”
Hoje, três anos depois, Ido Lekota continuaria provavelmente a escrever o mesmo do líder da luta anti-apartheid, preso durante 27 anos por lutar contra o regime segregacionista da África do Sul, que foi prémio Nobel da Paz (com Frederik de Klerk) em 1993 e primeiro Presidente negro da África do Sul eleito um ano depois. “O estadista mais amado” do mundo, como se lhe referiu em tempos o New York Times, esteve internado este ano, com uma infecção pulmonar, como o foi várias vezes nos últimos dois anos. Deixa uma obra completa: um país que imaginou e criou a partir de um ideal.
Advogado, líder da luta anti-apartheid, defensor do uso de armas em nome de uma luta igual com o opressor, Nelson Rolihlahla Mandela conseguiu ter do seu lado pacifistas como o arcebispo Desmond Tutu, que foi Nobel da Paz antes dele, em 1984, e que, quando Mandela esteve internado, rezou pelo “conforto e dignidade” daquele que considera ser “o ícone mundial da reconciliação”. Também foi o arcebispo Desmond Tutu quem disse, num dos últimos aniversários de Mandela, a 18 de Julho, que a melhor prenda que ele podia receber era que as pessoas fossem como ele, era saber que as pessoas seguiriam o seu exemplo.
De pessoa revoltada a magnânima
Tutu previu ser este um momento “traumático” para a África do Sul, o da perda de Mandela, figura que descreveu como “um ser humano fantástico”, numa entrevista em Junho de 2012 ao PÚBLICO, em Lisboa.
“Quando vai para a prisão, é uma pessoa zangada, revoltada, que acredita na violência como meio de conquistar a liberdade. E, quando sai, emerge como uma pessoa extraordinariamente magnânima. O sofrimento por que passou ajudou-o a suavizar a sua posição. (…) Ele acreditava convictamente que se é líder pelas pessoas que são lideradas e não em benefício próprio. Fomos incrivelmente abençoados por termos Madiba [Mandela] aos comandos, num momento histórico para o nosso país. (…).”
Pelo menos até ao fim de 2010, o ex-Presidente sul-africano continuava, todos os meses, a receber quatro mil mensagens do mundo inteiro. Algumas com uma homenagem, outras a desejarem-lhe uma reforma tranquila e feliz, segundo a Fundação Nelson Mandela, em Dezembro de 2010, que, na declaração também recebida pelo PÚBLICO, juntou um pedido a todos para se coibirem de pedir autógrafos, declarações, entrevistas ou aparições públicas em apoio a algum evento, de forma a “ajudar a tornar a reforma de Madiba um período de paz e tranquilidade”.
Seguiram-se meses e anos difíceis em que a sua saúde se deteriorou. E durante esta última permanência no hospital, à porta da sua casa em Joanesburgo e do hospital em Pretória, muitas flores foram deixadas com mensagens a desejar as melhoras ou a dizer: “Tata Madiba: Graças a ti, temos orgulho em ser sul-africanos.” Ou com promessas: “Prometemos viver em paz e harmonia.”
Descendente do rei thembu
O desejo de Mandela, expresso na autobiografia Longo Caminho para a Liberdade, era ser enterrado junto dos seus antepassados em Qunu, no Transkei, província do Cabo Oriental, onde nasceu em 1918, e foi educado para ser, como o pai falecido, conselheiro do rei thembu, Jongintaba Dalindyebo.
Era descendente de Ngubengcuka, que tinha antes sido o rei dos thembu, incluídos no mais vasto grupo linguístico dos xhosa. Mandela descreve o rei, que foi seu pai adoptivo e do qual teria sido conselheiro, se não tivesse partido para Joanesburgo, como “um homem tolerante e esclarecido que tinha alcançado o objectivo [que caracteriza] todos os grandes líderes: manter o seu povo unido”.
Este “grande líder” acolhera Mandela com nove anos, após a morte do pai que, anos antes, ficara desapossado de tudo por desafiar um representante da administração britânica. A mãe, sem condições para o criar, entregou-o ao rei. Mandela aprendeu a escutar os anciãos.
Os vários nomes de Mandela
Mandela é muitas vezes chamado, na África do Sul, por "Tata", que significa "pai", ou por "khulu" que é "grandioso" – ambos na língua xhosa. Mas Mandela é sobretudo referido, em sinal de respeito, por "Madiba" – nome de um chefe thembu que reinou no Transkei no século XVIII, o nome do clã de Mandela que é mais importante do que o apelido.
Na clandestinidade, a partir de 1961, vestiu a pele de um David Motsamayi; disfarçou-se várias vezes de motorista, cozinheiro, jardineiro.
Não foi conselheiro, nem rei, mas a sua educação de aristocrata, os estudos de advocacia, o carisma e dedicação à luta anti-apartheid fizeram dele o líder inquestionável do ANC e principal ícone da libertação da África do Sul. Não aceitou ser libertado da prisão, enquanto não fossem instituídos o fim do apartheid e o fim da proibição do ANC, o levantamento do estado de emergência e a libertação dos outros presos políticos.
“Eu prezo muito a minha liberdade, mas prezo ainda mais a vossa”, escreveu num discurso lido pela filha Zindzi, num comício no Soweto, em 1985, dirigido aos africanos e membros do ANC.
Recolhimento nacional
Também por isso, a morte de Mandela é “uma perda tremenda para o país”, disse Ray Hartley, director do jornal sul-africano The Times numa entrevista ao PÚBLICO. “A África do Sul perderá aquele sentimento reconfortante de que existia este grande unificador”, disse, embora prevendo que "os processos políticos não serão afectados pelo seu desaparecimento.”
Também em entrevista, Thierry Vircoulon, investigador associado do Institut Français des Relations Internationales e co-autor de L’Afrique du Sud de Jacob Zuma (L’Harmattan), considerou que “a África do Sul vai entrar num momento de recolhimento nacional”. E realçou: “A nova África do Sul não vai desaparecer com ele, precisamente porque ele fez um excelente trabalho enquanto pai fundador dessa nova África do Sul.”
Os seus actos são frequentemente lembrados como exemplo para outros. As suas palavras ressoarão durante muito tempo como lições de vida.
Frederik W. de Klerk, ex-líder do Partido Nacional, fala do líder que confrontou em duras negociações e com quem partilhou o Prémio Nobel da Paz 1993, numa entrevista a propósito do livro Conversations with Myself , também lançado em Portugal, em 2010, com o título Nelson Mandela – Arquivo Íntimo (Editora Objectiva), e que junta notas pessoais, cartas e diários de Mandela escritos antes e depois da saída da prisão: “Independentemente de qualquer crítica que possamos fazer, o homem que emerge de Conversations with Myself é uma eminente figura não só na história da África do Sul, mas na história do século XX. Ele foi Presidente para desempenhar um papel exemplar na unificação e reconciliação do povo profundamente dividido da África do Sul”, disse aquele que foi o último Presidente branco da África do Sul (1989-1994).
Muitas vezes, admite na autobiografia Um Longo Caminho para a Liberdade, Mandela se questionou sobre o sofrimento que infligira à família durante a clandestinidade e nos anos na prisão de onde só saiu com 72 anos.
Já em liberdade, numa entrevista à revista norte-americana Time em Fevereiro de 1990, disse acreditar no valor da dedicação quase exclusiva à luta: “Sim, valeu a pena. Ser preso por causa das nossas convicções e estar preparado para sofrer por aquilo em que se acredita vale a pena. É uma conquista para um homem cumprir o seu dever na terra independentemente das consequências.”
O difícil equilíbrio, nunca alcançado, entre a dedicação à família, por um lado, e à causa política da libertação, por outro, acompanhou-o durante a vida e é algo presente nas suas memórias do Arquivo Íntimo. Porém, aceitou-o da mesma forma que aceitou defender o recurso às armas como imprescindível para o sucesso da luta.
Em defesa das armas
“Nunca irei lamentar a decisão que tomei em 1961, mas gostaria que um dia a minha consciência estivesse tranquila”, disse referindo-se à decisão tomada nesse ano de passar à clandestinidade e formar o MK (Umkhonto we Sizwe – A lança da nação) de que foi primeiro comandante-chefe e que se tornou a ala militar do ANC. Viria a ser condenado a prisão perpétua em 1964 por sabotagem e conspiração.
Passou 18 anos na prisão de alta segurança de Robben Island. Esteve depois na prisão de Pollsmoor, e já no final foi transferido para a cadeia de Victor Verster perto da Cidade do Cabo.
Nos 23 anos que viveu depois de libertado, concluiu a missão, iniciada ainda na cadeia, de negociar o fim do apartheid com o Governo do Partido Nacionalista e foi eleito primeiro Presidente negro da África do Sul. Depois de terminado o mandato de cinco anos, retirou-se da política e passou a dedicar-se, através da fundação com o seu nome, a uma nova causa – o combate e a prevenção da sida – à qual se sentia especialmente ligado.
Em 2005, a morte do filho Makgatho, vítima de sida, levou Mandela a uma rara intervenção pública desde que deixara a vida política em 1999. Lançou um apelo ao fim do tabu, para que se falasse desta como de qualquer outra doença, por considerar que só assim a sida deixaria de ser fatal.
Já antes, quando estava preso, tinha perdido o filho mais velho Thembekile, num desastre de automóvel, em 1969, e uma filha pequena ainda bebé, Makawize, ambos do primeiro casamento com Evelyn Mase, de quem se divorciou em 1957.
Um ano depois conheceu e casou-se com Winnie Mandela, de quem teve duas filhas. Quando a viu pela primeira vez, “soube que a ia amar”, escreve na autobiografia. Durante os anos em que esteve preso, é a sua confidente e, durante muito tempo, quem melhor o compreende. A política, os métodos utilizados ou o rumo defendido para a luta acabam por separá-los. Mandela opta pelo divórcio em 1996.
Dos seis filhos que teve, acompanharam-no até ao fim as três filhas: Zindzi, Zenani e Makawize. E Graça Machel, com quem se casou dois anos depois do divórcio com Winnie, a 18 de Julho de 1998, no dia do 80.º aniversário.
Quando Mandela esteve esta última vez no hospital, Graça Machel agradeceu emocionada as muitas mensagens a desejar as melhoras do ex-Presidente vindas da África do Sul, do continente e do resto do mundo. Nessa mensagem pública e universal, Graça Machel dizia estar reconhecida a todos os que tinham, com isso, “feito uma diferença, na recuperação” de Mandela numa alusão às palavras do próprio: “O que conta na vida não é o facto de termos vivido. É a diferença que fizemos para a vida dos outros.”

Fonte: http://www.publico.pt/mundo/noticia/morreu-nelson-mandela-1597047#/0

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

MAIS UM ANIVERSÁRIO DA INDEPENDENCIA ANGOLANA DIA 11.11.1975





quinta-feira, 17 de outubro de 2013

PROVA DO PROFESSOR AS PORTAS

QUE OS ESTUDANTES PREPAREM-SE PARA AS PROVAS QUE ESTAO JÁ AS PORTAS. BOM TRABALHO E SUCESSOS

EXPOSIÇÃO DO TRÁFICO


O TRÁFICO A HISTÓRIA MAIS TRISTE DO CONTINENTE AFRICANO: Jony Culo

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

OS IMBANGALA



IMBANGALA

O Imbangala ou Mbangala eram 17 grupos de guerreiros angolanos e saqueadores que fundaram o Reino Kasanje século .

1 Origens da Imbangala
2 Imbangala Inititation and Customs
3 Armas e Táticas Imbangala
4 Imbangala eo Português
5 Mais tarde, o destino
6 Referências
7 Ligações externas

Origens da Imbangala

O Imbangala eram pessoas , possivelmente da África Central , que apareceram em cena em Angola durante o início do século 17 . As origens das pessoas ainda são debatidas . É geralmente acordado que eles não eram os mesmos Jagas que atacaram o Reino do Congo durante o reinado de Alvaro I.

Na década de 1960 , foi proposto que as tradições orais do Império Lunda sugeriu que ambos os grupos de saqueadores Jaga originado no Império Lunda e fugiram durante o século 17 . Outra teoria é que o Imbangala eram um povo locais do sul da Angola originários do Planalto do Bié ou as regiões costeiras a oeste das Highlands.

A primeira conta testemunho da Imbangala , escrito por um marinheiro Inglês chamado Andrew Battell , que viveu com eles por 16 meses , em torno de 1600-1601 , os coloca firmemente nas regiões costeiras e planaltos de Angola moderna , ao sul do rio Kwanza . Seus líderes Battell disse que eles tinham vindo de um lugar chamado " Elembe " e que tinha se originado a partir de uma "página" no seu exército . A história de Battell foi publicado por Samuel Purchas parcialmente em 1614 e totalmente em 1625.

O Imbangala eram uma sociedade totalmente militarizada baseada inteiramente em ritos de iniciação , em oposição aos ritos habituais de parentesco da maioria dos grupos étnicos africanos . Para manter o parentesco de substituir iniciação, todas as crianças nascidas dentro de um kilombo foram mortos. As mulheres foram autorizados a deixar o kilombo ter seus filhos, mas quando eles voltaram a criança não era considerada uma Imbangala até sofrer iniciação. Em quase espartano -like programa , as crianças foram treinados diariamente em grupo e combate individual. Durante o treinamento eles usavam um colar que não pôde ser removido , mesmo após o início , até que tinha matado um homem no campo de batalha . Além dos rituais de infanticídio , o Imbangala se cobriram com pomada chamada maji um samba acreditava conferir invulnerabliity enquanto o soldado seguiu rigoroso conjunto de códigos yijila . O yijila necessário o infanticídio , canibalismo e uma ausência absoluta de covardia. [1]

Imbangala Armas e Táticas

Imbangala guerreiros eram conhecidos como nugnza (singular: gonzo ) e foram divididos em doze esquadrões , cada um liderado por um capitão chamado musungo . Estes doze esquadrões eram parte de um kilombo , uma cidade fortificada temporariamente cercada por uma paliçada de madeira. Cada kilombo tinha doze portas para os doze esquadrões que formavam a força de combate total. [1] O exército Imbangala entrou em campo aberto ou em qualquer campo de batalha longe de suas fortificações em uma formação de três pinos não unsimilar do famoso touro Zulu e formação de chifres. O Imbangala atacou com um chifre direito ( mutanda ) , deixou chifre ( Muya ) e vanguarda ( muta ita ) no centro. Ao contrário do Zulu , o Imbangala lutou com as mesmas armas que seus inimigos, incluindo arcos, facas e espadas . Sua principal arma era o clube guerra ou machado. [1]

Imbangala e o Português

O Português teve um interesse na Imbangala sobre o tempo que Battell primeiro viveu com eles. Battell foi para seu país em companhia de comerciantes portugueses que estavam comprando seus prisioneiros de guerra para vender como escravos. Na época de seu contato, o Imbangala estavam agindo como saqueadores cujo principal interesse parecia ser saquear o país, especialmente para a obtenção de grandes quantidades de vinho de palma , que produzido por um método desperdício de cortar a árvore para baixo e tocando sua fermentado conteúdos mais alguns meses . O Imbangala não permitir que os membros do sexo feminino para dar à luz, supostamente expondo todas as crianças nascidas em seu kilombo (Português quilombo ) ou acampamento armado. Em vez disso, eles reabastecido seus números através da captura de adolescentes e forçando-os a servir em seu exército . Nos métodos que lembram moderno recrutamento criança-soldado , os jovens cativos eram muitas vezes obrigados a matar e comer pessoas , consumir álcool considerável e não poderia ser admitido como membro pleno , até que tivesse matado um inimigo em combate. Canibalismo ritual sacrifício humano e tortura foram os temas abordados no que observadores do século XVII chamado de "leis quixilla " (do Kimbundu kixila ou proibição ) pelo qual o Imbangala foram ditas para viver.

Sua capacidade militar e crueldade fez apelo aos colonos portugueses em Angola que tinha sido travada a uma paralisação em sua guerra contra o reino de Ndongo angolano durante o primeiro período de domínio colonial ( 1575-1599 ) . Apesar do desgosto professado em seus costumes , os governadores portugueses de Luanda , por vezes, contratou o Imbangala para suas campanhas , começando com Bento Banha Cardoso , em 1615 , mas principalmente após 1618 assalto Luis Mendes de Vasconcelos em Ndongo . Mendes de Vasconcelos operado com três faixas de Imbangala mas logo descobriram que não foram disciplinados o suficiente para servir o Português . A banda de Kasanje em particular, se conseguiu libertar do controle Português e começaram uma longa campanha de pilhagem que, eventualmente, os estabeleceu na Baixa de Cassange região de Angola moderna ao longo do rio Cuango . Esta banda viria a ser o moderno etnia angolana que a própria Imbangala (e deixou os costumes militantes de seus antecessores no final do século XVII ) chama .

Outra banda , Kaza , na verdade juntou Ndongo e se opôs ao Português , mas que acabaria por trair a rainha do Ndongo Njinga Mbande , em 1629 , frustrando assim que a tentativa de rainha para preservar a independência do Ndongo partir de uma base em ilhas do rio Kwanza . Depois de curta duração tentativa de Njinga para se juntar com Kasanje em 1629-1630 , ela foi para Matamba e lá formou sua própria banda Imbangala (ou se juntou com outro ), liderado por um homem conhecido apenas como " Njinga Mona " ( filho de Njinga ) . Embora relatado para ser um Imbangala -se (supostamente tomar um rito de iniciação que envolveu batendo um bebê em um almofariz de grãos ) , Njinga provavelmente nunca se tornou realmente um.

Mais tarde, o destino

Outras bandas foram integrados no Exército Português servindo como soldados auxiliares , com seus comandantes e acantonados no território Português . No início do século XVII foi passando, essas e outras bandas ou foram aniquilados por um ou outro dos estados políticos, como o formado por Njinga em Matamba . Um grupo de malfeitores Imbangala criar raízes e formou o Reino Kasanje . Sul do Kwanza na pátria original do Imbangala , eles continuaram operando tanto quanto antes para pelo menos mais meio século, mas até lá eles gradualmente formaram parcerias com entidades políticas existentes, como Bihé ( Viye ) , Huambo ( Wambu ) ou Bailundu ( Mbailundu ) . Em todas essas áreas , os seus costumes tendem a moderar no século XVIII , o canibalismo era restrito ao ritual e às vezes só para ocasiões simbólicas (por exemplo, os grupos Imbangala século XIX, no planalto central ainda praticavam um ritual conhecido como "comer o velho " ) .

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O FIM DA GUERRA: O MEMORANDO DE ENTENDIMENTO DE LUENA



A 22 de Fevereiro de 2002 o líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Jonas Savimbi, foi morto por forças militares do governo e, em breve, as imagens televisivas do seu cadáver eram transmitidas em todo o mundo.

O esforço militar do governo para derrotar a UNITA reclamara a sua vítima mais preciosa. Tendo resistido a crescentes pedidos domésticos e internacionais para novas conversações com a UNITA, o governo encontrava-se numa encruzilhada, aparentemente numa posição forte, em que poderia escolher se queria tentar forçar a UNITA a uma rendição total ou iniciar algum tipo de conversações de paz. A UNITA, fracturada e hesitante, enfrentava escolhas ainda mais difíceis. Este artigo analisa como as partes responderam à oportunidade oferecida para terminarem a guerra, e interroga a forma como as decisões que conduziram à assinatura do Memorando de Luena em 4 de Abril podem ter moldado o futuro de Angola.

Passos para as conversações

Três dias após a morte de Savimbi, enquanto as operações militares prosseguiam em Angola, o Presidente Dos Santos esteve em Lisboa para discutir a situação com o governo português. Aí, ele fez uma declaração pública indicando que o próximo passo seria um cessar-fogo, antes de viajar para Washington, onde se encontraria com o Presidente George W. Bush e outros altos funcionários dos EUA e, depois, com Ibrahim Gambari, Sub-Secretário da ONU para os Assuntos Africanos. A 2 de Março, o governo confirmou que contactaria a UNITA para preparar o terreno para um cessar-fogo.

As informações iniciais, a seguir à morte de Savimbi, sugeriram que a UNITA estava determinada a continuar a combater, mas a sensação de derrota iminente aprofundou-se com a notícia da morte do Vice-Presidente António Dembo. Surgiram rumores de que ele fora morto por companheiros da UNITA, porque, não sendo ele ovimbundu, seria uma escolha inaceitável para líder, mas outras informações afirmavam que ela era diabético e tinha perdido os medicamentos. O Secretário-Geral da UNITA, General Paulo Lukamba "Gato", alegadamente da linha dura, tornou-se no líder de facto, no seu papel de 'coordenador' da recém-formada Comissão de Gestão.

Seguiram-se contactos discretos entre os partidos beligerantes, e deu-se um avanço público a 13 de Março, quando o governo declarou uma cessação unilateral das movimentações militares ofensivas e apresentou um 'plano de paz' (ver Textos de base e acordos). Este plano exigia a resolução dos assuntos militares pendentes em conformidade com os Acordos de Bicesse e o Protocolo de Lusaka, a desmilitarização e reintegração da UNITA na vida política, e uma amnistia de todos os crimes cometidos no âmbito do conflito armado. Havia também o compromisso em trabalhar, durante o processo, com toda a sociedade, especialmente as igrejas, partidos políticos, e grupos da sociedade civil. O plano foi considerado surpreendente, mas foi, em geral, bem recebido. A Assembleia Nacional não foi consultada nem envolvida. O Representante do Secretário-Geral da ONU em Angola, Mussagy Jeichande, exprimiu satisfação com o plano de paz, considerando-o "conciliatório". Os bispos católicos receberam com agrado "a linguagem e o gesto benevolentes" do governo, e a comunicação social independente também reagiu com agrado.

O problema da UNITA

A iniciativa parecia ter impulsionado as perspectivas de um acordo. Contudo, havia que lidar com mais do que uma UNITA. Nominalmente, a abordagem do governo era uma política dupla que envolvia a discussão dos assuntos militares com os comandantes da UNITA no mato, e dos assuntos políticos com a UNITA-Renovada, uma facção do movimento rebelde que há muito reconhecia como sendo a UNITA legítima. Contudo, a UNITA-R, que era largamente vista como um grupo de marionetas que tinha sido integrado no Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN), tinha pouca legitimidade junto dos membros da organização no mato, dos representantes da UNITA no estrangeiro e dos outros deputados. Na prática, a ausência de uma UNITA coerente e unificada representava uma oportunidade para o governo limitar qualquer acordo a um acordo estritamente militar, com os seus congéneres militares, deixando os assuntos políticos em suspenso.

Um comunicado da UNITA-R anunciou a criação de uma comissão para a reunificação do partido, mas isto foi pouco mais do que uma postura. Entretanto, havia uma séria divisão entre a Comissão de Gestão da UNITA no mato e a sua ala no exterior. Enquanto o governo reconhecia a liderança militar da UNITA como sua parceira de negociações, muitos no partido receavam que esta era pouco mais do que prisioneira, tendo como única escolha assinar uma rendição disfarçada de acordo de paz. 46 dos 70 deputados da UNITA emitiram uma declaração apoiando a ala externa como o único organismo com legitimidade suficiente para representar o movimento junto da ONU, para que se pudesse concluir o processo de paz.

O público em geral também começou a exprimir reservas sobre a natureza das negociações iminentes. Houve pedidos para que jornalistas e activistas da sociedade civil, nacionais e estrangeiros, tivessem acesso às negociações e aos membros da UNITA nelas envolvidas, ou, pelo menos, para que houvesse observadores da ONU ou da Troika, para aumentar a credibilidade. Três dias após o anúncio do plano de paz do governo, a Associação Cívica Angolana (ACA) pediu numa carta aberta a elaboração de um plano que não fosse meramente um acordo militar e para acomodar a UNITA, mas que lidasse com os problemas do país na fase de transição para a democracia.

Um porta-voz governamental respondeu que a presença de terceiros, tais como a igreja ou a ONU, seria confusa nessa fase, mas deixou aberta a possibilidade de um envolvimento posterior. Falando pela Comissão de Gestão da UNITA, o General Dachala apoiou esta posição.

Conversações preliminares em Cassamba

Conversações preliminares entre as FAA e os generais da UNITA começaram a 15 de Março na vila de Cassamba, na província do Moxico. Um jornal revelou que o General das FAA "Implacável" teve uma reunião exploratória de dois dias com Gato, na base da UNITA no Moxico, mas foi o General Samuel Chiwale que liderou a delegação da UNITA nas conversações. Facto importante, um antigo General da UNITA, que mudara de lado em 1993, e liderara operações militares recentes, Geraldo Sachipenda Nunda (Chefe de Estado-Maior Adjunto das FAA) liderou a delegação do governo nas conversações preliminares. Alegadamente, ele foi capaz de estabelecer uma boa relação com os seus antigos colegas.

O governou caracterizou a situação como sendo de resolução de assuntos militares técnicos. Os dois lados concordaram que as FAA seriam responsáveis pela organização e provisão de todos os meios logísticos e técnicos necessários para as conversações, incluindo o transporte de delegados da UNITA para o local. Foi acordado que a capital provincial, Luena, a cidade com instalações do governo mais próxima do campo de batalha, seria um local prático para acolher mais negociações. As perspectivas para a cessação definitiva das hostilidades pareciam promissoras. O General Nunda das FAA e o Chefe de Estado-Maior da UNITA, General Abreu "Kamorteiro", assinaram um 'pré-acordo' de cessar-fogo em Cassamba, a 18 de Março. Continuaram a aparecer relatos de combates em diversas partes do país, mas o governo minimizou a sua importância, insistindo que se deviam apenas a 'falhas de comunicação' com os combatentes no terreno.

Contudo, nesta altura, a ala militar da UNITA não tinha ainda conseguido que os restantes elementos dispares da UNITA alinhassem. A ala externa da UNITA não estava preparada para permanecer na penumbra. Um membro da ala externa em Lisboa, Carlos Morgado, afirmou, pouco depois das conversações de Cassamba terem começado, que estas eram "uma farsa. ... Que todo o cenário... se destinava a ser vendido à comunidade internacional, como se um acordo estivesse iminente." Ele disse que os representantes da UNITA nas conversações eram prisioneiros e não compareceram voluntariamente às conversações. Fontes da UNITA em Portugal informaram também que o representante da UNITA em Paris, Isaías Samakuva, tinha sido eleito líder interino da UNITA.

Aparentemente, Samakuva deu um passo conciliador a 18 de Março, quando apelou às igrejas, sociedade civil e partidos da oposição, que garantissem uma paz digna e pediu ao governo uma clarificação sobre o estatuto de Gato e de outros generais da UNITA que negociavam com as FAA. Após uma longa conversa telefónica com Gato, Samakuva admitiu ter mais confiança na seriedade das conversações, apesar de se ter queixado de que a UNITA não tinha meios de comunicação entre os seus elementos no interior e no exterior.

Os elementos da organização sedeados na Europa acabaram por emitir uma declaração exprimindo o seu apoio total à liderança do General Gato e dando à equipa negociadora um mandato mais claro para chegar a um acordo. A 25 de Março, 55 dos 70 deputados sedeados em Luanda apoiaram uma declaração de apoio total a Gato e à sua Comissão de Gestão – sendo os outros 15 seguidores de Eugénio Manuvakola, da UNITA-Renovada.

Progressos no Luena

A segunda ronda de conversações começou a 20 de Março, no Luena. Ambos os lados estavam confiantes de que a paz estava ao seu alcance. Kamorteiro disse "muitos políticos usaram a mesma expressão, mas eu não sou político, sou soldado, por isso quando falo de paz é a sério."

A equipa da UNITA incluía os principais generais e, desta vez, era chefiada por Marcial Dachala, Secretário da Informação, e Alcides Sakala, Secretário dos Assuntos Exteriores (ambos anteriormente dados como mortos). Gato, mais uma vez, esteve ausente, mas mais tarde afirmou que a equipa negociadora da UNITA esteve em contacto regular com ele na sua base algures no Moxico, para conciliarem posições.

Durante as conversações, os serviços noticiosos do governo relataram um ambiente muito bom entre os negociadores, com os membros da delegação da UNITA em conversas livres e amigáveis com os seus parceiros das FAA e com elementos do público. Kamorteiro foi, alegadamente, visto a guiar abertamente o seu jipe pelas ruas de Luena, e os seus colegas foram vistos em discotecas e clubes nocturnos da cidade.

A 23 de Março, os comandantes regionais militares das FAA juntaram-se às conversações e, a 25 de Março, as conversações foram suspensas para consultas. Ainda havia algum nervosismo oriundo do exterior. A 'missão no exterior' pediu ao governo para alterar o local das conversações para um sítio de acesso mais fácil para a imprensa e outros observadores (ou seja, Luanda), e com maiores possibilidades de supervisão da ONU e da Troika, tal como previsto no Protocolo de Lusaka.

As conversações foram dominadas pelos aspectos técnicos de um cessar-fogo e pela definição detalhada de todos os aspectos relacionados com o aquartelamento e desmobilização das forças da UNITA. Uma Comissão Militar Mista (CMM) foi formada, tendo a ONU e a Troika com estatuto de observadores, e também um grupo técnico consistindo de peritos militares das FAA e UNITA e de representantes da ONU e Troika. De acordo com o seu estatuto de negociações militares, os assuntos políticos, tais como o papel dos líderes da UNITA nas estruturas do estado e do governo, assentos parlamentares vagos, e questões de longo prazo como eleições e a constituição, foram deixadas para mais tarde.

O acordo militar foi assinado a 30 de Março, abrindo caminho para a assinatura oficial a 4 de Abril. Esperava-se que Gato assinasse pela UNITA, mas ele não compareceu. No início, foi dito aos jornalistas no Luena que o helicóptero que o fora buscar não podia aterrar devido à chuva forte. Quando o helicóptero chegou, transportava o antigo Comandante Geral da UNITA, General Samuel Chiwale, que declarou que Gato "tinha demasiado trabalho" para poder estar presente. Chiwale garantiu aos repórteres que o General Gato estaria presente na cerimónia, em Luanda, na quinta-feira, 4 de Abril, que seria testemunhada por Gambari e os embaixadores da Troika. Nesse dia, os dois Comandantes-em-Chefe (Da Cruz Neto e Kamorteiro) assinaram o Memorando. Afastando quaisquer receios de um descarte à Savimbi do acordo, Gato compareceu e foi recebido por Dos Santos após a cerimónia.

A sensação de que o Memorando de Luena fora um pacto entre dois partidos, excluindo outras forças políticas, permaneceu. Apesar do seu sucesso em terminar com a guerra, e apesar das palavras amigáveis do plano de paz, as outras forças políticas e sociais foram deixadas de fora. A 3 de Abril, na véspera da cerimónia de assinatura, o Presidente Dos Santos fez um discurso ao país sobre o perdão, a reconciliação nacional, a reconstrução, e os cuidados com os desfavorecidos. Em resposta, o líder da Frente Nacional pela Libertação de Angola (FNLA), Holden Roberto – o único líder sobrevivente dos três movimentos de libertação originais – pediu que uma comissão preparasse "um diálogo nacional sem exclusões" para garantir a transição pacífica para a democracia e a reconstrução nacional.

As provisões acordadas para a amnistia aumentaram a sensação de um pacto exclusivo de dois partidos. A UNITA e as FAA receberam do parlamento uma amnistia total, aprovada unanimemente dias antes da assinatura. Foi a primeira vez que uma proposta foi aprovada unanimemente pela Assembleia, mas a reacção dos observadores foi menos entusiasta. A 11 de Abril, Gambari encontrou-se com Gato e reiterou que a ONU não reconheceria a amnistia, uma vez que os crimes de guerra teriam de ser julgados. A amnistia também foi questionada por 63 partidos políticos mais pequenos numa carta ao Presidente. Gato (e até Holden Roberto) consideraram a intervenção de Gambari indesejável e potencialmente destabilizadora do ambiente optimista reinante.

A nova era

O Memorando de Luena marcou o fim da guerra. Seguiu-se um período de maior contacto entre os dois partidos. A seguir à primeira reunião da CMM, logo após a assinatura, Nunda informou que não houvera violações do cessar-fogo. Membros da CMM e do grupo técnico foram apresentados à imprensa, e o contingente da UNITA confirmou essas informações. A CMM acabou por ser considerada inadequada para completar todas as tarefas, para além das de natureza militar, e assim a Comissão Mista de Lusaka foi ressuscitada durante alguns meses no final de 2002, sendo desactivada em Novembro, após o que a ONU levantou as últimas sanções à UNITA.

Apesar da UNITA ter entrado nas conversações dividida, o caminho para a sua reunificação enquanto partido político coerente estava a tornar-se claro. A delegação da UNITA que chegou à capital para a assinatura formal encontrou-se com o líder da UNITA-R, Manuvakola, que se comprometeu publicamente a não interferir nas conversações, para, alegadamente, permitir que "a UNITA representasse a UNITA". Nos meses seguintes a UNITA encaminhou-se para a reunificação.

Apesar de alguns acharem que é uma afirmação duvidosa, no dia anterior ao cessar-fogo ser assinado Gato avisou que "a guerra poderia ter continuado". Não é possível saber se tinha razão, mas as razões para negociar foram irresistíveis. Os acontecimentos posteriores a Fevereiro de 2002 podem ser vistos como a sequência lógica de uma campanha militar, em que ambos os lados tinham algo a ganhar com a negociação e o fim da actividade militar. A contenção do governo, não declarando abertamente a vitória, foi sensata. O decurso dos acontecimentos pode ser interpretado como uma série de manobras hábeis do governo do Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), que conseguiu transmitir a ideia de uma conclusão conciliatória da guerra, sem conceder qualquer poder.

A questão para Angola é saber o que poderia ter acontecido se o processo tivesse sido definido em termos mais vastos – como uma oportunidade, não só para acabar com as hostilidades militares de forma negociada, mas para abrir o processo a uma renovação política mais vasta – através de consultas aos partidos políticos não armados e à sociedade civil. Teriam estas fundações sido melhores para uma democratização e reconciliação mais profundas, que pudessem resolver com maior sucesso os problemas fundamentais de Angola? Dadas as estruturas de poder, este tipo de abertura nunca foi uma hipótese real, mas poderá ser Angola a perder por tal processo nunca ter sido levado a cabo.

Fonte: www.mpdaangola.com