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sábado, 18 de fevereiro de 2017

HISTÓRIA 10ª CLASSE


Elaborado por: Professor João da Silva Raimundo Culo
Janeiro/2013
10ª Classe
TEMA I – A CIÊNCIA HISTÓRICA
1.1  CONCEITO E OBJECTO DE ESTUDO
Como ciência, a História nasce nos primórdios do século XIX, tornando assim uma ciência independente, possuindo métodos de investigação, métodos de análise e síntese, objecto de estudo, etc.
A palavra história tem como origem a cidade da Grécia Antiga, que em grego historiei, significa investigar.   
Entre os vários historiadores da antiga Grécia, vamos destacar Heródoto Halicarnasso (485 a.C. – 396 a. C) conhecido como o Pai da História, e posteriormente Tucídides (460 a.C – 700 a. C).  
Várias são as definições existentes sobre a História como ciência, não existe uma definição exacta.
Conceitos de História:
·         A História: é a narração científica e cronológica dos acontecimentos ou dos factos ocorridos no passado, num determinado espaço geográfico e num dado momento, em que os homens foram actores dominantes para o desenvolvimento ou retrocesso da humanidade.
·         A História: é a ciência que estuda o homem na sua evolução ao longo dos tempos e num espaço.
·         Segundo Marco Túlio Cícero, a «História é o testemunho dos tempos, a luz da verdade, a mestra da vida, a mensagem dos dias que não voltarão».
1.1.1 OBJECTO DE ESTUDO DA HISTÓRIA
Toda e qualquer ciência possuí um objecto de estudo, a História não foge a regra, também possui objecto de estudo:
·         Em primeiro lugar vamos encontrar o Homem como sendo a autor principal dos factos históricos;
·         O Tempo uns dos elementos primordial na ciência histórica;
·         O Espaço o lugar ou o local onde os factos ou os acontecimentos históricos se realizam;
·         A Sociedade, grupo de indivíduos organizados que vivem sobre base de normas, leis, etc., num determinado espaço geográfico. 
Estes vão constituir o objecto de estudo da História, mais não nos esqueçamos que o Homem é o objecto primordial da História.    
1.2  - A FUNÇÃO SOCIAL DA HISTÓRIA
A história cumpre uma função na formação do cidadão. Seu estudo ilumina as estruturas que impulsionaram o desenvolvimento dos povos e informa sobre as ideias que esses povos têm sobre seu desenvolvimento histórico. Permite, portanto, registrar a variedade de artefactos que imaginaram para armazenar, reter e difundir a memória do passado. A função social da História é de informar e formar o Homem para que possa evitar erros do passado viver de forma adequada o presente e projectar uma sociedade sã [1].
1.2.1     AS CORRENTES DA HISTÓRIA
Antes de mencionarmos as correntes da História, vamos em primeiro lugar enumerar as fases da evolução histórica:
1.    Fase Pré- Científicainclui toda a história grega, romana, cristã-medieval e a história do renascimento.
2.    Fase de Transiçãoé um periodo de passagem entre a fase Pré – científica e a fase Científica.
3.    Fase científica – é o período da História Moderna em pleno século XX, inclui toda a história da corrente positivista, o Historicismo e da História Nova. 
Não devemos esquecer do Renascimento que foi um movimento pertencente a fase Pré-científica.
1.2.2     O renascimento
É um grande movimento de renovação das letras, das ciências e das artes a que se deu o nome de renascimento e que tinha como principal inspiração o antigo mundo greco-romano. Este movimento teve início em Itália por diversas razões, entre as quais porque Itália era constituída por vários estados independentes como Florença, Roma, Génova e Veneza que tinham um grande progresso económico por causa das relações com o Oriente e o Norte da Europa e também porque os dirigentes destes estados (papas, príncipes e burgueses) eram mecenas (ou seja, protegiam as pessoas ligadas ás artes e ás letras) e outro motivo é que Itália tinha muitos monumentos e obras literárias das antigas civilizações que serviam de inspiração aos artistas. O movimento renascentista espalhou-se por toda a Europa. Alguns dos renascentistas que mais se destacaram foram Maquiavel e Petrarca (em Itália) Erasmo de Roterdão (na Holanda), Shakespeare (em Inglaterra) e Camões (em Portugal). Durante a Idade Média (séc. V a XV) Deus era o principal objecto de reflexão do homem mas, a partir do século XV (com o renascimento), passou a debruçar-se mais sobre si próprio. O homem renascentista preocupava-se em desenvolver o corpo e o espírito e tinha grande interesse em saber um pouco de tudo (conhecimento enciclopédico). Esta nova corrente de pensamento chamava-se humanismo e um dos humanistas que mais se destacou foi Leonardo da Vinci que foi artista, engenheiro e cientista. Já na Antiguidade clássica, os escritores romanos e gregos refletirão sobre os problemas do homem.
As correntes da História
As principais correntes da História são:
1.    Positivismo:
2.    Marxismo
1.3.        METODOLOGIA DA ANÁLISE HISTÓRICA
Para se falar da Metodologia da Análise Histórica, em primeiro lugar teremos que definir as principais terminologias: Metodologia e Análise.
Metodologia: é o conjunto de métodos que viabilizam um determinado trabalho;
Análise: Separação ou desagregação das diversas partes constituintes de um todo; decomposição. (Vide Dicionários Aurélio).
Metodologia da Análise Histórica: é a ciência que estuda conjunto de métodos que analisam as diversas partes do conhecimento histórico. (Vide Culo).   
Pode-se assim afirmar que, não se pode classificar as fontes históricas sem que, exista a Metodologia da Análise Histórica, visto que, entre elas existe uma relação.
Falar da Metodologia da Análise Historia leva-nos a abordar sobre as fontes históricas, já conhecidas por muitos:
Fontes Históricas: são todos os vestígios que testemunham a presença dos antigos homens me variados sítios, épocas. Estas fontes classificam-se:
1.    Fontes materiais – são todos os artefactos e construções da antiguidade deixadas pelos nossos antepassados.
Exemplo: utensilio doméstico, armas, esculturas, barcos moedas, etc.
2.    Fontes escritas: são todos os documentos escritos deixados pelos nossos ancestrais em diferentes locais e épocas.
Exemplo: cartas, contratos, livros, leis, listas de impostos, etc.
3.    Fontes orais: são narrativas transmitida oralmente de geração em geração, fazendo parte do modo de vida da comunidade.
Exemplo: as pessoas mais antigas das comunidades e que conhecem a historia da mesma (os Reis, Sobas, anciões, etc.).
Obs.: a tradição oral é mais usual em África e em localidades onde tomaram contacto com a escrita muito mais tarde, por isso é considerada a tradição oral como uma fonte muito importante para o continente africano, visto que ela é transmitida de geração em geração.   
A CRÍTICA HISTÓRICA
É considerado como crítica histórica o método histórico que distingui o documento verdadeiro do documento falso, é o método que verifica o que pode existir de falso num documento verdadeiro ou vice-versa.
A História faz-se com documentos e não só. Para o historiador distinguir o verdadeiro do falso deve seguir três passos importantes:
1.    Procurar e classificar as fontes;
2.    Verificá-las;      
3.    Compreendê-las.
A SÍNTESE HISTÓRICA
Pode-se definir a síntese Histórica como sendo o resumo do conteúdo histórico após o processo de análise. Assim pode-se dizer que, sem a análise não pode haver a síntese.
Os documentos e testemunhas, são os elementos fundamentais para dar corpo ao conhecimento histórico, mais estes devem ser submetidos a uma análise e posteriormente ao resumo ou síntese.   
1.4 – A PERIODIZAÇÃO, SEUS CRÍTERIOS E PROBLEMAS
A História é uma ciência que tem como elementos fundamentais: o tempo e o espaço, para de poder enquadrar os factos históricos.
Periodização: é a maneira de ordenar de forma cronológica os acontecimentos históricos, isto é, desde a antiguidade até a actualidade. (Vide Culo).
A periodização histórica desempenha uma grande importância no estudo dos períodos históricos da humanidade. Também permite compreender a sistematização do estudo do passado da humanidade.
A História Tradicional divide-se nos seguintes períodos cronológicos
Um dos grandes problemas que a periodização histórica apresenta é o eurocentrismo e a regionalização na História Universal.

PERIODIZAÇÃO DA HISTÓRIA DE ANGOLA
A periodização da História de Angola goza de um período conturbado, complexo e de difícil compreensão.
Exemplo: a data de 1482 possui um grande significado histórico para o Congo e não para o resto do território angolano. O mesmo pode se dizer da data de 1575 que tem um grande significado para Luanda igualmente sem muito interesse para o resto do território de Angola.
A História de Angola deve-se em 8 períodos como descreve Bengui Pedro; 2008, História 10ª Classe:
1-    As civilizações pré-Históricas (desde os primeiros habitantes de Angola – os Pigmeus e os Khoisan e termina com a migração Bantu.
2-    Período dos reinos do território que é hoje Angola (antes e depois da chegada dos europeus, terminando convencionalmente em 1482.
3-    O chamado período do mercantilismo colonial (tem início com a chegada de Diogo Cão na foz do rio zaire em 1482 e termina em 1885.
4-    O capitalismo comercial (vai de 1885-1910);
5-    Quinto período (1910-1926);
6-    Angola no período entre 1926-1961 (implementação da 2ª República e termina com o desenvolvimento do nacionalismo africano)   
7-    Início da luta da luta armada até à Independência Nacional (1961-1975);
8-    Período pós-independência (desde 1975 até aos dias actuais).
Obs.: Estes dois últimos períodos são mais recentes que possuem maior número de bibliografias, por isso são os períodos mais conhecidos da História Angolana. 
CONCLUSÃO
Podemos concluir que esta unidade leva-nos a entender o grande significado que tem a ciência Histórica, suas origens, objecto de estudo, as fontes históricas assim como a grande função social que a História exerce na sociedade, bem como nos dá a entender a grande importância que a periodização tem na organização dos acontecimentos de uma forma cronológica.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
FREITAS, Gustavo; História, s/d.
MATERIAL de História da 11ª Classe; Ex. IMNE, 2005
PERDRO, Bengui; História 10ª Classe, 2008



















[1] Vide John G. A. Pocock